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Lídia ficou aqui tanto tempo que eu me acostumei com ela por perto, me fazendo companhia no meio de um monte de meninos de 15 anos, me emprestando brincos e maquiagens, sendo sempre mais sensata do que eu, mais responsável, mais adulta. Nós nos equilibrávamos, sendo opostas. E uma sempre achava a outra mais bonita. Ela me fez um bem enorme, do tamanho da falta que faz agora. E talvez por não ter chorado ao me despedir dela no aeroporto essa madrugada, estou com a saudade entalada na garganta, que não me deixa dar mais que um sorrisinho sem graça pra quem chega fazendo graça comigo.
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Eu já disse isso tudo a ela, ela já sabe que vou morrer de saudade, que ela é, provavelmente, a amiga mais leal que já tive até hoje, que ela me faz querer ser uma pessoa melhor, que eu a amo demais, mais do que uma irmã. Mas eu quis escrever, pra ver se as lágrimas finalmente vinham, essas minhas lágrimas, sempre tão carregadas de tudo. Não vieram.
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Eu sou chorona de despedidas, e amante delas. Acho que elas têm que acontecer, pra que a última lembrança que se tem da pessoa, se for mesmo a última vez que se vê, seja a de um abraço, um beijo, um "tchau, mas volte logo". Um "eu te amo" esperado por tanto tempo, algo assim. É deprimente sair sem se despedir, pensar que a última coisa que você disse pra aquela pesoa foi "me dá um copo d'água", "tá, agora deixa eu usar o computador", sei lá. Não falo aqui de despedidas eternas, embora se aplique também. É mais de alguém que só vou ver daqui a 1 ano, e mesmo assim, morro de saudade. Não disse nada a Lídia na hora de ela entrar no embarque, porque tudo já tinha sido dito. Dei só um abraço que é só de nós duas. E valeu.
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e a gente se divertiu.
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(soundtrack: Rob Thomas - Time After Time)
Bem-vindos ao estranho mundo de Line Gilmore. E por favor, não perguntem o que é Ni.
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