domingo, 9 de setembro de 2007

se eu fosse uma menina sem sono

Ok. Deve ter gente enjoada de ver a listinha do "e se fosse" pelos blogs around. Eu não recebi de ninguém a incumbência de fazer, dada a minha anti-socialidade-blogwôrldica, talvez. Vi no blog de mamãe há uns dias, e Jady fez também. E assim que a inspiração veio, botei o bloco de notas pra funcionar. Então, eis a lista de coisas que eu seria se eu fosse alguma coisa:

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Se eu fosse uma hora, seria 5 e pouca da manhã, quando o sol nasce.
Se eu fosse um planeta ou astro, seria uma estrela. elas brilham mesmo depois de não existirem há milhões de anos.
Se eu fosse uma direção, seria pra cima.
Se eu fosse um móvel, seria uma escrivaninha antiga, cheia de gavetas e compartimentos secretos.
Se eu fosse um líquido, seria café. a bebida dos nerds, por acaso.
Se eu fosse um pecado, seria a ira.
Se eu fosse uma pedra, seria um quartzo rosa (tem um no layout do blog).
Se eu fosse uma árvore, seria um ipê-roxo, de preferência no meio de outras árvores verdes e bestas.
Se eu fosse uma fruta, seria uma pitanga bem madurinha.
Se eu fosse uma flor, seria uma violeta. miudinha, mas forte.
Se eu fosse um clima, seria frio, mas não a ponto de prender todo mundo em casa. só friozinho pra deixar as pessoas chiques com chapéus e casacos.
Se eu fosse um instrumento musical, seria uma flauta transversal. difícil até achar a posição certa.
Se eu fosse um elemento, seria mau. just kidding... eu seria a água.
Se eu fosse uma cor, seria primária. vermelho.
Se eu fosse um animal, seria um coaaaaaaaaaaala!! fofo e caro pra manter.
Se eu fosse um som, seria o da chuva. ou o do mar.
Se eu fosse uma música, seria de Chico Buarque.
Se eu fosse um sentimento, seria algum tipo de amor torto e confuso.
Se eu fosse um livro, seria sobre outro mundo.
Se eu fosse uma comida, seria cheia de gordura trans.
Se eu fosse um lugar, seria o ateliê de Cloves em fim de período.
Se eu fosse um gosto, seria o de morango coberto de chocolate meio-amargo.
Se eu fosse um cheiro, seria o de pão de queijo recém-saído-do-forno. ou cheiro de sundown, tanto faz.
Se eu fosse uma palavra, seria implícita. não é qualquer um que entende.
Se eu fosse um verbo, seria imperativo. e rápido.
Se eu fosse um objeto, seria um espelho.
Se eu fosse uma peça de roupa, seria básica, adaptável e indispensável. Provavelmente um sutiã preto milagroso.
Se eu fosse uma expressão, seria um sorriso bem aberto e idiota.
Se eu fosse um filme, seria Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (o link é de um flog que eu tive num passado distante, e escrevi sobre).
Se eu fosse personagem de desenho animado, seria o Dexter. Neeeerd.
Se eu fosse uma forma, seria uma espiral em proporção áurea.
Se eu fosse um número, seria 7. já falei sobre ele. é elegante, ímpar e cheio de significados.
Se eu fosse uma estação, seria o outono-quase-inverno.
Se eu fosse uma frase, seria um verso. Na verdade dois. De Chico Buarque. "Bambeia, cambaleia, é dura na queda, custa a cair em si. Largou família, bebeu veneno e vai morrer de rir".


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Wonderbra special series Line Gilmore.

(soundtrack: Chico Buarque - Samba e Amor)

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

independência ou educação!

Essa foi a mais pitoresca das faixas do desfile de 7 de setembro de minha querida cidade natal. Idealizada por alguma professora primária que devia estar muito cansada de seus moleques, e doida pra que eles respondessesm "morte!"
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Não, este não é um post-indignado-politizado-patriota. Longe disso. Eu só não achei que fosse rir tanto num desfile. É o primeiro que eu assisto de verdade, inteiro, sem nenhum compromisso de nota ou de presença no local (a popular Avenida). Ok, é normal que nesses desfiles de colégio que não tem fanfarra a banda não seja lá essas coisas, mas esse ano o pessoal se superou: a banda era... um carro de som. Yeeeep. Que tocava uns 10 minutos e repetia exaaaaatameeeente a meeeeesma múuuusica. É aceitável também que meninas se fantasiem de princesa Isabel, meninos de Dom Pedro. Pois hoje eu vi fadinhas, coelhinhos da páscoa, padres, ala-das-baianas-de-6-anos-de-idade, bailarinas, anjinhos, RBDs (é, meninas de minissaia de pregas, meias 3/4, gravatinha, laço no cabelo, etc etc) e até - pasmem! - um clube de pré-idosos. É, existe essa faixa etária.
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Enfim, a manhã do dia da pátria foi um festival de tosqueiras de cidade pequena. Tosqueiras das quais eu nem sabia, mas estava com saudade. E é claro, teve a companhia divertidíssima da velha guarda da família de mamãe. A certa altura, tia Ju começou a enumerar, às gargalhadas, os membros da família que tinham sérios distúrbios mentais, e morreram de forma triste e trágica, ou sumiram, ou estão causando problemas pro resto do clã, o que me assustou um pouco, porque eu tenho plena consciência de que ninguém aqui em casa é perfeitamente normal.
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E simplesmente não consigo terminar esse post de uma maneira decente. Estou cansada da praia que veio depois do dever patriótico, lentinha, levemente entediada e sem paciência pra forçar meus neurônios preguiçosos a fazer qualquer coisa. Se mami, sivuplê, der um tempinho no pc do quarto, vou dormir assistindo Gilmore Girls, pra variar.
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(soundtrack: Scorpions - Lonely Nights)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

love story

Tudo começou numa tarde chata de domingo, no distante ano de 2003. Eu tinha 15 anos, e lembro como se fosse hoje. A gente morava na Av. Bahia, porque a casa onde em moro por 1/3 do ano estava em construção. Tinha um colchão no chão, na frente do sofá, com a distância perfeita pra a televisão, e uma profusão de travesseiros e edredons. Aí começou aquela série ainda desconhecida dos reles mortais que não tinham tv a cabo: Tal Mãe, Tal Filha, no SBT. 1º episódio da 1ª temporada. Rory vai para Chilton. De repente, passou a 1 hora normal do episódio, e quando eu me dei conta, já estava irremediavelmente viciada. Eu e mamy, as próprias Gilmore Girls.
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Mas todo mundo sabe que se tem uma coisa que o SBT não respeita de jeito nenhum, são os fãs de séries gringas. Logo, a season 1 de GG (eu nem sabia ainda que o nome era Gilmore Girls) foi assistida muito mais-ou-menos, fora de ordem, sem frequência certa, e depois de um tempo o vício foi passando, porque não tinha muita coisa que o alimentasse.
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Aaaanos mais tarde (ok, um ano mais tarde), mamy e papy finalmente resolveram colocar DirecTv em casa - já na casa nova, recém-construída -. Então, um dia, totalmente por acaso, zapeando pelos canais de séries, descobri Gilmore Girls, passando todos os dias às 10:30 e 15:30 no Warner Channel. Obviamente era a reprise, porque a nova temporada (4ª, se não me engano) passava todas as terças-feiras, e já escrevi algo sobre esse ser um dos motivos de eu adorar tanto esse dia da semana.
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GG virou minha novela-das-oito. Eu não perdia dejeitonenhum, até porque no Warner, os episódios passavam certinho. Chegava toda terça da Clave de Sol, corria pro banho e pra frente da tv. E todo dia eu travava uma batalha com o irmãozinho, pra convencê-lo a para de assistir o que quer que ele estivesse vendo e me dar o controle. Mas eu conseguia. E lia spoilers (com todo o cuidado pra não saber mais que o necessário), baixava wallpapers, catava a trilha sonora - que só foi ser organizada e botada à venda bem recentemente -, enfim, era fã de GG em todos os sentidos. Nada em Gilmore Girls é óbvio. Nem o humor, nem nada do que acontece, nem a maneira das duas de demonstrar amor. Ainda lembro do episódio em que Dean diz que ama Rory, e ela, ao invés de dizer "eu também", entra em choque e sai correndo. Minha vida e meu relacionamento com mamy tinham (têm) uma semelhança absuuuuuuuuurda com os fatos pitorescos tirados da cabeça de Amy Sherman-Palladino, e logo a gente começou a se chamar Rory e Lor. Só para os íntimos.
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Aí, um belo dia, quando voltei das férias em Recife, no começo de 2005, doida pra matar a saudade de Lorelai, Rory, Luke, Jess, Dean and co., mamy me vem com a notícia aterradora que tinha cancelado a DirecTv. Porque tava ficando caro, porque ela ficava sozinha em casa, porque eu ia entrar no 3o ano e não precisava de tanta distração, etc etc etc. Eu quase surtei. Eu quase cortei os pulsos. Eu quase me joguei da varanda (mas não ia adiantar muita coisa, porque é só 1º andar). Mas o que é que eu podia fazer, né, a vida continua, eu tinha trezentos milhões de outras coisas pra pensar, então aceitei com resignação meu destino de órfã de Gilmore Girls.
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Parei com os spoilers, parei com os fóruns, mudei meu wallpaper, saí de todas as comunidades de GG, porque a raiva de não estar assistindo ia ser enorme. Esse foi meu surto de abstinência. Mas com o tempo, a frustração passou, afinal eu estava no 3º ano, e o que não sobrava era tempo pra me lamentar. Mas também, eu sabia que um dia Rory e Lor iam voltar pra mim, e não ia adiantar nada eu ficar sabendo de toda a season 5 sem assistir. Perdia a graça. Mas mamãe ficou sendo Lor, e vovózinha carrega pra sempre a lisonjeira alcunha de Emily Gilmore, porque certas coisas simplesmente ficam.
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Quando resolvi ter um blog, eu precisava de um apelido, tipo Vivi Griswold, Clara McFly ou Flá Wonka (não é segredo nenhum minha tietagem do Garotas, né pessoal?). Aí, nada melhor que Line Gilmore, of course. Deu uma saudadezinha. Sempre dava, não tinha jeito. Eu ficava sabendo por línguas soltas que Rory dispensou Jess, que Lorelai estava com Christian, que Lorelai estava com Luke, que Richard e Emily se separaram, que Rory estava com Logan - aaai Looooooogan! - , que Lor e Rory estavam brigadas (o quêeeeeee?), que Amy Sherman ia largar a série, que a season 7 era a última e nem estava tão boa assim, e de repente aconteceu. GG acabou. E eu nem me despedi. E eu nem vi como acabou. Buá.
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Um belo diiiiiia, há pouco mais de 1 mês, no auge do meu tão famoso fim de péríodo, vejo eu um dvd escrito "Gilmore Girls - 6ª temporada". Demorou pra eu me lembrar de onde aquilo tinha saído, e mais importante: por que eu não assisti antes. Mas é claro! Roni baixou e me deu, mas se eu não tinha visto a season 5, como é que ia assistir a season 6 assim, sem mais nem menos? Pensei, pensei, olhando pra a cara do dvd, e resolvi, numa daquelas madrugadas solitárias e sem sono: dane-se a ordem dos episódios, e dane-se o fim do período, eu ia matar a saudade de GG there and then.
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E matei. Assisti os 7 episódios (só cabe isso num dvd) em 3 dias. Ver de novo todas aquelas coisas que eu conhecia tão bem me deu uma melancolia gostosa. o Dragonfly Inn, as empregadas rotativas de Emily Gilmore, o cachorro de Lorelai, cujo nome é só um pouquinho esquisito - Paul Anka -, as canecas de café do Luke's... caí no vício de novo, depois de anos "limpa". E como sempre acontece, fiquei doida por mais. A sorte é que na época, outras coisas me fizeram surtar, e minha atenção se desviou um pouco. Mas assim que entrei de férias, vim embora pra casa e botei o dedinho no mouse, e começou a baixação, meio a contragosto de mamy, porque ocupa um espaço absurdo no pc (300 mega, cada ep), mas ela sabe que a culpa foi dela de ter cancelado a DirecTv. No momento, já tenho a 6ª e a 7ª temporadas completas, e a 5ª pela metade. Vou levar todos os devedês pra casa, feliz da vida, e GG vai ter um lugar de honra, junto da minha coleção de documentários de Chico. Aliás, descobri um gosto especial por colecionar coisas, mesmo que seja só mandar baixar no eMule e let it happen, é uma alegria imensa quando vejo os eps se completando e marco o ok na listinha que eu fiz pra não endoidar com tantos números, e vou guardar de lembrança.
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No momento, estou assistindo a season 6, o que ainda falta dela. Tudo in english sem legendas, porque a paciência pra procurar é pouca e a vontade de assistir é muita. Além do mais, é uma incrível ginástica mental tentar entender o que as duas falam na velocidade peculiar Gilmore. Minhas férias vão ter gosto de Stars Hollow.
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off the record: acabei de ter noção de como eu sou absurdamente nerd, geek, ou o que quer que essa paixão desenfreada por uma série americana seja.
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where you lead, I will follow
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(soundtrack: Grant Lee Phillips - Monalisa - da trilha de Gilmore Girls)

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

lazy hazy crazy days of summer

Line Gilmore, quando está de férias, escreve posts decentes, cheios de links e figuras, e falando não de stresses e sim de cultura inútil, que é bem mais divertido.
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Line Gilmore encantada com Ratatouille. Line já é bestificada com as animações da Pixar, mas depois de ter um lampejo do que é trabalhar com 3D, ela agora é fã de Brad Bird (O Cara da Pixar) desde pequenininha. E é claro que Line pegou a sacadinha genial de Brad, quando ele resolveu fazer a parte-protagonista-humana da história ser Linguinni, um cara ruivo, sardento e desengonçado, que neeeem o Gurincrível de Os Incríveis, que é que neeeeem ele mesmo, ó.
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Line Gilmore satisfeitíssima com as aquisições musicais internéticas, em especial com o álbum de Mika, e confesso de antes de catar o link eu só sabia que ele é muuuuuuito gato e tem nacionalidade exótica. É a-mais-nova-sensação-pop-do-momento-daqui-a-1-mês. Sério, é tudo sweet as a lollipop, que aliás é uma das faixas mais legais, depois, óooooobvio, de Grace Kelly, o chicletinho da estação na Mtv (by the way, ai que saudade da Mtv!).
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Line Gilmore entediada porque o andamento da baixação dos eps de GG é praticamente nulo.
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Line Gilmore irritada porque baixou uns 5 eps dublados em italiano. É, isso mesmo. Toscamente dublados em italiano - já li em algum lugar que a dublagem brasileira é a melhor do mundo, e se nem ela eu suporto, imaginem. Line não está pronta pra começar a aprender outro idioma tão cedo (principalmente se a dubladora fala rápido como Lorelai). Crap. Line deleta os 5 eps com mais de 90% baixados com uma doooor no coração porque além de não andar, a baixação desandou.
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Line Gilmore interrompida por uma chamada no msn, mesmo estando ela ocupada. Line já usa a internet há um tempo considerável, mas ainda assim ela respeita a regrinha de etiqueta de não falar com pessoas ocupadas, exceto em casos de urgência ou paixão desenfreada, e ela espera que respeitem essa regrinha com ela também. Mas agora ela não tá ocupada coisa nenhuma, só espera alguém entrar, e não quer sobressaltos no coração toda vez que alguém entra e não é alguém. Mas eis que aparece uma criatura com nick_estranho@hotmail.com, e como é muito comum que ela não lembre de pessoas que adiciona, a primeira coisa que fez foi perguntar quem era. A pessoa, obviamente, não respondeu e deixou Line dividida entre a curiosidade e a vontade de bloquear quem quer que fosse que não se identificou. Mas ela estava entediada e nem um pouquinho impaciente, então resolveu dar uma chance. No fim das contas, era colega de faculdade, por sinal uma das últimas pessoas que ela viu no CAC antes de viajar de férias.
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Line Gilmore não sabe se está mais com fome ou com sono. Provavelmente sono. Ela vai dormir ouvindo a trilha deliciosa da comédia-romântica-road-movie Elizabethtown, o segundo melhor filme da semana. Perde pra Stranger Than Fiction, que tem um dos roteiros mais bem-construídos que ela já viu, e um efeito visual interessantíssimo (que nos extras Line descobriu que se chama G.U.I., e lhe deu vontade de desistir de design de produto só pra trabalhar com isso: fazer coisas legais em aberturas de filmes).
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É impressionante como Line Gilmore se desvia do assunto. Era só pra ter dito que ela vai dormir. Ela foi.
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(soundtrack: The Hollies - Jesus Was a Crossmaker)

terça-feira, 28 de agosto de 2007

meu belisco

É assim que ele me chama de vez em quando. Me chamava bem mais quando eu era menor (do tamanho de um belisco, eu acho, o que quer que isso seja). Hoje é aniversário dele. 84 anos, os mais saudáveis que já vi até hoje alguém completar. E não sei o que é que me deu de não pensar em nada inédito pra escrever pra ele, eu que me dou melhor com palavras do que com qualquer outra coisa. Nem cartão pra o presente (um almanaque de 144 páginas de palavras-cruzadas) consegui fazer. Mas enfim, escrevi a seguinte cartinha já há um tempo, quando estava em Recife morrendo de saudade. Mandei por email, mamãe imprimiu, ele leu e deve ter significado um bocado, porque uma semana depois ele e minha vó me mandaram uma graninha e umas 3 revistinhas de palavras-cruzadas, puro carinho. E sei lá, acho que vai demorar até que eu consiga traduzir melhor o quanto ele é importante pra mim.


Essa noite tive um sonho estranhíssimo (e mais estranho ainda é que faz um tempão que não tenho sonhos). Sonhei que o senhor quase morria. Tinha um problema de saúde, não sei exatamente qual, mais grave que todos os outros poquíssimos que já teve, e parecia que tinha chegado a sua hora. E eu não entendia, porque o senhor sempre foi tão saudável, parecia que ia viver pra sempre. E não me conformava por não estar por perto. Não que eu fosse ser extremamente necessária ou coisa assim, era mais por causa da saudade mal-resolvida que ia ficar depois. Mas não aconteceu. O senhor não morreu, no fim das contas. E inexplicavelmente (agora eu sei, porque foi um sonho) estava aqui, no meu apartamento, dando glória a Deus. E eu lhe dei aquele abraço que o senhor gosta tanto, dizendo exatamente isso. Que tive tanta saudade, que não ia aguentar, que Deus é bom. E o senhor passava a mão na minha cabeça, com todo o amor do mundo.
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Aí acordei. E essa talvez seja a primeira vez que um sonho me leva a tomar uma atitude de verdade. Mesmo que sejam só umas palavras (e eu me dou bem com elas).
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Seu Abel, eu te amo. Muito, muito, muito, mais do que eu pensei que amava até hoje. Amo o seu jeito doce de falar comigo, de viver, na verdade. Amo os seus conselhos. Amo a sua paciência, a certeza que o senhor tem de que tudo vai dar certo porque Deus está no controle. Amo a sua inteligência peculiar, sua vontade de aprender mais sempre. Acho o máximo meu avô ser capaz de resolver as palavras cruzadas mais difíceis em uma sentada, e conhecer tantas constelações, estrelas-alfa, capitais e países que ninguém nem sabe que existem, e outras coisas que o senhor gosta de dissecar naquela enciclopédia. A coisa mais fofa do mundo é quando o senhor vem lá de cima trazendo um pratinho de bolo, biscoitos ou alguma fruta, e diz "é especial pra você". Mesmo que na verdade nem seja, aquela comidinha besta se torna especial por sua causa. Acho lindo o amor que o senhor tem por minha vó, a paixão cheia de gentilezas que existe entre os dois ainda. E o seu senso de economia então... capaz de barganhar até no caixa do supermercado, fazendo sempre o melhor negócio, esperando e estudando as oportunidades, fazendo todas as contas possíveis e imagináveis, só pra de vez em quando dizer "tome, pegue esse biscoitinho que você gosta", e isso significar tanto.
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Dizem que avô estraga. Se for pelo senhor, a pessoa que inventou isso está redondamente enganada. O senhor me faz querer comer coisas saudáveis de vez em quando, me leva a acreditar que existe SIM amor pra sempre, tem uma relação com Deus que nunca vi igual, e só me falta força de vontade pra querer ser assim. Me deu uma bênção toda especial, que quando eu era pequena, achava a maior chatice ouvir e esperar, mas agora me sinto MESMO abençoada. O senhor é o melhor avô do mundo, e eu te amo. Eu lembro do senhor, e de vez em quando preciso do seu abraço e da sua mão na minha cabeça dizendo "vai ficar tudo bem, meu belisco". Tenho saudade de ver o senhor chegando da rua, de boné na cabeça e mão no bolso, ou então trazendo um milho verde, porque lembrou da gente. E todas essas coisinhas pequenas.
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Vô, eu seu que não disse tudo, porque nem cabe no papel, mas sei lá, acho que essas palavrinhas valem pra o senhor saber que seu belisco te ama.
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um beijo e um abraço daqueles,
Alininha
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parabéns, meu belisco.
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(soundtrack: The Fratellis - Whistle for the Choir)